Uma nova avaliação do programa Virando o Jogo em Gana indica que as organizações participantes estão fortalecendo suas práticas de mobilização de recursos locais, conseguindo mais apoio por meio de doações de produtos e serviços, e se relacionando de forma mais estratégica com as comunidades e com os tomadores de decisão.
Organizações da sociedade civil que participaram das formações do Virando o Jogo em Gana relataram melhorias na mobilização de recursos locais, no relacionamento com diferentes públicos e na confiança para realizar seu trabalho.
Uma avaliação de impacto do programa Virando o Jogo em Gana indica que as organizações da sociedade civil participantes melhoraram suas práticas de mobilização de recursos locais, o relacionamento com diferentes públicos e a confiança em seu próprio trabalho após participarem das formações. A avaliação analisou a contribuição de duas áreas centrais do Virando o Jogo: Mobilização Local de Recursos e Incidência Política. Para entender de que forma o programa pode ter contribuído para a sustentabilidade das organizações e para suas ações de incidência política, foram utilizados questionários, grupos de discussão, estudos de caso e análises qualitativas.
Encomendada pelo Instituto da Sociedade Civil da África Ocidental (WACSI), a avaliação reúne informações de nove turmas e mais de 79 organizações que participaram de formações desde 2017. Entre as organizações que responderam ao questionário, 92% afirmaram ter melhorado pelo menos uma atividade de mobilização de recursos depois da formação. Além disso, 27 organizações relataram ter mobilizado, juntas, US$ 315 mil, após participarem do programa. Isso representa uma média de aproximadamente US$ 11.667 por organização.
Mas os resultados vão além dos números. A avaliação mostra uma mudança mais ampla na maneira como as organizações pensam sobre sua própria sustentabilidade. Várias organizações relataram que passaram a depender menos de doadores internacionais e a desenvolver formas de atuação mais ligadas às comunidades. Também ampliaram suas ações de incidência e fortaleceram o relacionamento com autoridades públicas, lideranças tradicionais, empresas locais e outros atores da comunidade.
Uma nova perspectiva sobre os recursos locais e as práticas organizacionais
Um dos resultados mais claros da avaliação é que a formação em Mobilização Local de Recursos ajudou as organizações a repensarem onde e como buscar apoio. Em vez de enxergarem os recursos apenas como algo que precisa vir de fora, as organizações passaram a prestar mais atenção ao que já existe dentro das próprias comunidades, tais como; doações individuais; doações de produtos, materiais ou serviços; patrocínios; campanhas de financiamento coletivo; trabalho voluntário; apoio de empresas locais e parcerias com lideranças comunitárias e tradicionais.
Entre as organizações que compartilharam informações sobre suas atividades de mobilização de recursos, 77% apresentaram melhoria na captação de recursos finnaceiros e 85% aumentaram as doações de produtos, materiais ou serviços depois da formação do Virando o Jogo.
Antes da formação, apenas 4% das organizações participantes arrecadavam mais de US$ 20 mil por ano em dinheiro. Depois da formação, esse percentual passou para 24%. O apoio por meio de produtos e serviços também cresceu. A porcentagem de organizações que mobilizavam entre US$ 5 mil e US$ 10 mil por ano em doações desse tipo aumentou de 4% para 35%. Além disso, as organizações também relataram melhorias em sua confiança, comunicação, elaboração de projetos, visibilidade da marca e capacidade de se aproximar de doadores/as e parceiro/as locais.
Em conjunto, esses dados indicam que a mobilização de recursos locais pode ser um caminho importante para a sustentabilidade, principalmente quando as organizações têm ferramentas práticas, mais confiança e estratégias claras.
A avaliação também indica que o programa pode ter contribuído para mudanças mais amplas dentro das organizações. Os participantes relataram melhorias no planejamento estratégico, no funcionamento interno, no relacionamento com diferentes públicos e na maneira de comunicar seu trabalho.
Em vários casos, as organizações deixaram de realizar ações de mobilização de recursos de forma improvisada, ou apenas quando surgia uma necessidade urgente. Em vez disso, passaram a adotar métodos mais organizados, como criação de equipes responsáveis pela mobilização de recursos; elaboração de planos de captação; melhoria dos materiais de comunicação e divulgação; definição de estratégias mais claras para se relacionar com parceiros/as e apoiadores/as.
“O verdadeiro valor da mobilização de recursos locais não está apenas no dinheiro arrecadado. Está também na confiança, na visibilidade e no sentimento de participação que as organizações constroem quando comunidades, lideranças locais e empresas passam a fazer parte da solução”, destaca Melissa Juisi Simo, formadora do Virando o Jogo.
Além dessas mudanças organizacionais, os participantes também avaliaram positivamente sua experiência com o programa Virando o Jogo. A avaliação registrou uma pontuação média de +0,82, em uma escala que vai de −1, para avaliações negativas, a +1, para avaliações positivas.
As organizações também descreveram a formação como prática, relevante e útil para o trabalho que realizam. Entre os aspectos mais valorizados estavam: a metodologia participativa das formações; o acompanhamento oferecido pela WACSI e a rede de contatos profissionais criada por meio do programa.
Para muitas pessoas, o programa não foi apenas uma formação técnica. Ele também se tornou um espaço de troca, apoio e aprendizagem coletiva entre organizações da sociedade civil que enfrentam desafios semelhantes.
Mais força para defender causas e dialogar com diferentes setores
A formação em Incidência Política também parece ter contribuído para que as organizações se relacionassem de maneira mais estratégica com diferentes públicos. Segundo a avaliação, houve um aumento em atividades como: realização de encontros com diferentes setores; relacionamento com a imprensa; campanhas de conscientização e participação em processos de criação ou discussão de políticas públicas. As organizações também relataram um relacionamento mais próximo com instituições governamentais, autoridades tradicionais, lideranças comunitárias e empresas.
“Isso é importante porque as organizações da sociedade civil não precisam apenas de recursos financeiros para manter seu trabalho. Elas também precisam construir relações, ampliar sua influência e dialogar com as pessoas responsáveis pelas decisões que afetam suas comunidades. Ao fortalecer os conhecimentos em incidência política, o programa pode ter ajudado as organizações a irem além da prestação direta de serviços e fazer com que elas tivessem mais condições de mobilizar comunidades, construir alianças, participar de decisões e contribuir para processos de desenvolvimento local mais transparentes e responsáveis”, declara Melissa.
Recursos locais, mudanças duradouras
A avaliação de impacto indica que as formações em Mobilização Local de Recursos e Incidência Política podem ajudar a fortalecer o trabalho da sociedade civil em Gana. Em um momento em que muitas organizações enfrentam a redução das doações e uma pressão cada vez maior para demonstrar sua sustentabilidade, o Virando o Jogo oferece um caminho prático. Suas técnicas e ferramentas ajudam as organizações a fortalecer seus sistemas, definir estratégias mais claras e aumentar a confiança em sua própria capacidade. Também apoiam a aproximação com comunidades, lideranças, empresas e instituições públicas, além de incentivar o reconhecimento e a mobilização dos recursos que já existem localmente e podem contribuir para a continuidade do trabalho.
No entanto, a mudança mais importante apresentada pela avaliação não é apenas financeira; é também uma mudança de estratégia e de mentalidade. As organizações participantes relataram que passaram de uma situação de maior dependência para uma posição de mais autonomia. Em vez de apenas esperar por apoio externo, começaram a reconhecer que as próprias comunidades possuem recursos, influência e capacidade para promover mudanças.
Leia a avaliação completa no site do WACSI:
https://wacsi.org/building-self-reliance-in-csos-and-cbos-impact-evaluation-of-wacsi-ctga-programme/
